quarta-feira, março 29, 2006

A minha breve experiência da maternidade

Pai, decidi escrever um pouco sobre esta experiência única que estou a atravessar. Como és homem, a melhor maneira de a viveres é através das mulheres que te rodeiam. Aqui vai a minha partilha.
Há cerca de 6 meses e meio que sou uma gestante com seu rebento que, de feijãozinho, passou a um ser com um quilo de peso e cerca de 25 centímetros. Ainda me faltam algumas semanas até o meu cérebro começar a produzir aqueles estímulos químicos, que segundo os especialistas me irão mentalizar para o parto que há-de chegar. Por enquanto mantenho-me calma e tranquila, a fazer de tudo um pouco.
Mas agora que olho para trás vejo que devo de estar a atravessar a melhor altura desta experiência.
O início. O início foi complicado. Por um lado temos a confirmação de uma coisa que queremos muito e, que depois de ter acontecido, parece que a alegria não é proporcional à expectativa e à esperança que nos mantinha enquanto estávamos na fase das tentativas de atingir aquele objectivo. Ainda temos aquele período paradoxal, onde queremos gritar em alto e bom som a novidade e temos a família próxima a tentar abafar uma das maiores alegrias da vida. Até três meses ninguém fala de nada. É segredo. Como se por um mau acaso o feto se perdesse, a dor não seria igual, quer os outros soubessem ou não.
Ninguém entende que para nosso próprio convencimento, falar sobre aquele novo estado é como que uma necessidade terapêutica que nos ajuda a interiorizar e a mentalizarmo-nos para a nova vida que ali começa.
Mas mais para frente as coisas complicam-se. No segundo trimestre já se fala do assunto mas, enquanto a mãe gestante tenta olhar para a barriga ainda diminuta como um enorme barrigão que todos já reparam, algumas almas caridosas tentam apagar qualquer impressão nesse sentido. Barriga? Nenhuma. Roupa de grávida? Ridículo!! Mas para a mãe que tem de aceitar transformações muitas vezes difíceis no seu corpo, não é fácil lidar com tantas opiniões.
E por falar em opiniões. Nunca na minha vida tinha passado por uma situação onde tanta gente fosse tão sábia e entendedora. Toda a gente tem a solução para tudo: azias, enjôos, sonos, dormidas, gináticas, constipações, mal estares, depressões...enfim. A partir do 3º mês é-se inundado de conselhos em forma de "eu é que sei como é..." e quase que nos impõem uma série de sintomas que nós não temos, mas que segundo eles, vamos ter.
Mais tarde começam outro tipo de invasões. Roupas, brinquedos e prendinhas. À força tudo isto entra em nossa casa. Enquanto os pais ainda se habituam à ideia de ter alguém para sempre nas suas vidas.
Quando começamos de facto a aumentar de tamanho então, se como eu temos o azar de ficar inchadas, somos constantemente bombardeadas com o "tás gorda, tens de ter cuidado", "tás inchada e não podes comer tanto", ou o "credo, quantos bebés tens aí dentro? Estás enorme?"... Esta fase também é muito engraçada, acreditem.
Bom, mas parece que agora as coisas acalmaram. Segundo as tão afamadas opiniões dos outros, estou uma grávida mais bonita, agora de desinchei...
Talvez, pelo aproximar da contagem decrescente, todos têm sido mais cuidadosos com as palavras.
Mas sei que depois do nascimento, as coisas voltarão a complicar-se. Todas as atenções que nós centráva-mos, passarão para o recém-nascido, e nós vamos ouvir consecutivamente: "aguenta-te, agora é mesmo assim...", "Não dormes? É a vida..."
Mas para quê sofrer de véspera? Venham elas que para um colinho cheiroso estou eu preparada.

terça-feira, março 28, 2006

Países parados...razões diferentes

Pai, hoje acordámos bombardeados com as notícias, que tal como todos os outros dias, nos entram casa a dentro, ouvidos a dentro, olhos a dentro, sem nunca passar pelo filtro da nossa razão que poderá dar à realidade uma leitura diferente. É a tal liberdade que a democracia nos permite viver.
Hoje temos dois países parados, por razões diferentes. Em França, mantêm-se as tradições herdadas da História, e o povo une-se nas lutas pela melhoria das condições sociais. É claro, que não há muito tempo, a França foi palco de outras lutas de carácter bem mais violento, que não combinam com os princícios de "Liberté, Fraternité et Égalité", mas enfim.... O mundo está diferente e esses são alguns dos seus traços.
Mas agora o nosso cantinho à beira mar plantado. O que nos faz parar? FUTEBOL. Hoje temos o grande acontecimento do Benfica jogar contra o Barcelona. O país irá parar. Uns tiram dias de férias para comprar bilhetes. Outros vão trabalhar acompanhados de símbolos benfiquistas. Ora aí está a nossa herança cultural também a falar mais alto. Os país do "três F's" continua mais vivo que nunca!!!

terça-feira, março 14, 2006

Também vou propôr uma OPA

Adoro estas modas do meu país. Ora temos os telemóveis a entrar pelo mercado a dentro, ora temos campeonatos de futebol com bandeiras nas janelas, ora temos os maravilhosos coletes de trânsito usados por todos sem excepção, ora temos uma invasão de rality shows, enfim, podia estar aqui horas a exemplificar a nossa tão especial tendência para as modas e para a exaustão de alguns fenómenos!
Os noticiários televisivos são o suporte por excelência destas modas, aliás, não sei se não serão eles a grande causa destas modas serem modas. Agora vamos a outra. Siga desbravar o terreno das OPAS!!! É moda é moda!!!
Por isso também eu quero fazer uma OPA, mas a minha terá uma outra designação: Outro País Agora....