A minha breve experiência da maternidade
Pai, decidi escrever um pouco sobre esta experiência única que estou a atravessar. Como és homem, a melhor maneira de a viveres é através das mulheres que te rodeiam. Aqui vai a minha partilha.
Há cerca de 6 meses e meio que sou uma gestante com seu rebento que, de feijãozinho, passou a um ser com um quilo de peso e cerca de 25 centímetros. Ainda me faltam algumas semanas até o meu cérebro começar a produzir aqueles estímulos químicos, que segundo os especialistas me irão mentalizar para o parto que há-de chegar. Por enquanto mantenho-me calma e tranquila, a fazer de tudo um pouco.
Mas agora que olho para trás vejo que devo de estar a atravessar a melhor altura desta experiência.
O início. O início foi complicado. Por um lado temos a confirmação de uma coisa que queremos muito e, que depois de ter acontecido, parece que a alegria não é proporcional à expectativa e à esperança que nos mantinha enquanto estávamos na fase das tentativas de atingir aquele objectivo. Ainda temos aquele período paradoxal, onde queremos gritar em alto e bom som a novidade e temos a família próxima a tentar abafar uma das maiores alegrias da vida. Até três meses ninguém fala de nada. É segredo. Como se por um mau acaso o feto se perdesse, a dor não seria igual, quer os outros soubessem ou não.
Ninguém entende que para nosso próprio convencimento, falar sobre aquele novo estado é como que uma necessidade terapêutica que nos ajuda a interiorizar e a mentalizarmo-nos para a nova vida que ali começa.
Mas mais para frente as coisas complicam-se. No segundo trimestre já se fala do assunto mas, enquanto a mãe gestante tenta olhar para a barriga ainda diminuta como um enorme barrigão que todos já reparam, algumas almas caridosas tentam apagar qualquer impressão nesse sentido. Barriga? Nenhuma. Roupa de grávida? Ridículo!! Mas para a mãe que tem de aceitar transformações muitas vezes difíceis no seu corpo, não é fácil lidar com tantas opiniões.
E por falar em opiniões. Nunca na minha vida tinha passado por uma situação onde tanta gente fosse tão sábia e entendedora. Toda a gente tem a solução para tudo: azias, enjôos, sonos, dormidas, gináticas, constipações, mal estares, depressões...enfim. A partir do 3º mês é-se inundado de conselhos em forma de "eu é que sei como é..." e quase que nos impõem uma série de sintomas que nós não temos, mas que segundo eles, vamos ter.
Mais tarde começam outro tipo de invasões. Roupas, brinquedos e prendinhas. À força tudo isto entra em nossa casa. Enquanto os pais ainda se habituam à ideia de ter alguém para sempre nas suas vidas.
Quando começamos de facto a aumentar de tamanho então, se como eu temos o azar de ficar inchadas, somos constantemente bombardeadas com o "tás gorda, tens de ter cuidado", "tás inchada e não podes comer tanto", ou o "credo, quantos bebés tens aí dentro? Estás enorme?"... Esta fase também é muito engraçada, acreditem.
Bom, mas parece que agora as coisas acalmaram. Segundo as tão afamadas opiniões dos outros, estou uma grávida mais bonita, agora de desinchei...
Talvez, pelo aproximar da contagem decrescente, todos têm sido mais cuidadosos com as palavras.
Mas sei que depois do nascimento, as coisas voltarão a complicar-se. Todas as atenções que nós centráva-mos, passarão para o recém-nascido, e nós vamos ouvir consecutivamente: "aguenta-te, agora é mesmo assim...", "Não dormes? É a vida..."
Mas para quê sofrer de véspera? Venham elas que para um colinho cheiroso estou eu preparada.
Mas agora que olho para trás vejo que devo de estar a atravessar a melhor altura desta experiência.
O início. O início foi complicado. Por um lado temos a confirmação de uma coisa que queremos muito e, que depois de ter acontecido, parece que a alegria não é proporcional à expectativa e à esperança que nos mantinha enquanto estávamos na fase das tentativas de atingir aquele objectivo. Ainda temos aquele período paradoxal, onde queremos gritar em alto e bom som a novidade e temos a família próxima a tentar abafar uma das maiores alegrias da vida. Até três meses ninguém fala de nada. É segredo. Como se por um mau acaso o feto se perdesse, a dor não seria igual, quer os outros soubessem ou não.
Ninguém entende que para nosso próprio convencimento, falar sobre aquele novo estado é como que uma necessidade terapêutica que nos ajuda a interiorizar e a mentalizarmo-nos para a nova vida que ali começa.
Mas mais para frente as coisas complicam-se. No segundo trimestre já se fala do assunto mas, enquanto a mãe gestante tenta olhar para a barriga ainda diminuta como um enorme barrigão que todos já reparam, algumas almas caridosas tentam apagar qualquer impressão nesse sentido. Barriga? Nenhuma. Roupa de grávida? Ridículo!! Mas para a mãe que tem de aceitar transformações muitas vezes difíceis no seu corpo, não é fácil lidar com tantas opiniões.
E por falar em opiniões. Nunca na minha vida tinha passado por uma situação onde tanta gente fosse tão sábia e entendedora. Toda a gente tem a solução para tudo: azias, enjôos, sonos, dormidas, gináticas, constipações, mal estares, depressões...enfim. A partir do 3º mês é-se inundado de conselhos em forma de "eu é que sei como é..." e quase que nos impõem uma série de sintomas que nós não temos, mas que segundo eles, vamos ter.
Mais tarde começam outro tipo de invasões. Roupas, brinquedos e prendinhas. À força tudo isto entra em nossa casa. Enquanto os pais ainda se habituam à ideia de ter alguém para sempre nas suas vidas.
Quando começamos de facto a aumentar de tamanho então, se como eu temos o azar de ficar inchadas, somos constantemente bombardeadas com o "tás gorda, tens de ter cuidado", "tás inchada e não podes comer tanto", ou o "credo, quantos bebés tens aí dentro? Estás enorme?"... Esta fase também é muito engraçada, acreditem.
Bom, mas parece que agora as coisas acalmaram. Segundo as tão afamadas opiniões dos outros, estou uma grávida mais bonita, agora de desinchei...
Talvez, pelo aproximar da contagem decrescente, todos têm sido mais cuidadosos com as palavras.
Mas sei que depois do nascimento, as coisas voltarão a complicar-se. Todas as atenções que nós centráva-mos, passarão para o recém-nascido, e nós vamos ouvir consecutivamente: "aguenta-te, agora é mesmo assim...", "Não dormes? É a vida..."
Mas para quê sofrer de véspera? Venham elas que para um colinho cheiroso estou eu preparada.
